O Casamento por Levirato

"Casamento é para os vivos, para a vida terrena"

Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse mulher, e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele e suscitasse descendência a seu irmão (Mc 12.19)

A lei do levirato consiste no casamento do cunhado com a viúva, caso o casal não tenha filho e ele não seja casado. O irmão do falecido deve tomar a sua cunhada por mulher. Essa lei já existia mesmo antes de Moisés (Gn 38.8), ele apenas a regulamentou (Dt 25.5-10). O nome vem da palavra latina levir, que significa "irmão do marido". Um exemplo pode ser visto no casamento de Rute (Rt 4.4-10), ainda que com algumas modificações. A lei do levirato existe ainda hoje em Israel e entre os judeus espalhados nas nações. Geralmente se faz a liberação, pois raramente o casamento é realizado.

Os saduceus citaram essa lei para testar Jesus. O argumento deles era artificial e até jocoso. A intenção era não só desacreditar Jesus diante do povo como também fazer chacotas. Por isso criaram uma situação ridícula e em cima dela desenvolveram o seu argumento. O caso é de uma mulher que fica viúva sete vezes, casa-se com sete irmãos, e os sete morrem, é claro que foi uma situação inventada pelos saduceus. Dificilmente o terceiro ou o quarto irmão a tomaria por mulher. Seria considerado como um mau presságio, ainda numa comunidade extremamente supersticiosa.


Esses intelectuais eram mestres da lei de Moisés e orgulhavam-se disso. Mas não sabiam que, embora sendo mestres, ainda não conheciam os escritos de Moisés. A arma deles era o raciocínio e o argumento supostamente baseado nas Escrituras, "Os incrédulos erram por não conhecerem as Escrituras e nem o poder de Deus".


Jesus desmantelou por completo os artifícios e ideologias dos saduceus. Eles apresentaram a lei do levirato como obstáculo para a vida futura, e consequentemente, a ressurreição. A resposta de Jesus foi: "Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento" (Lc 20.34). No mundo vindouro, esclareceu Jesus, isso não existe por três razões: a) não podem mais morrer; b) são iguais aos anjos; c) são filhos da ressurreição (Lc 20.35-36). É por isso que a morte anula legalmente o casamento, ficando o cônjuge viúvo livre para contrair novo matrimônio (Rm 7.2). Casamento é para os vivos, para a vida terrena.